2004/07/09

Pretty Intense

Os Anos 80 estão a cruzar-se com os nossos, vê-se pela roupa que se vende e usa por aí, o que é uma chatice para quem passou parte da adolescência a tentar livrar-se das camisas de malha aberta, calças que pareciam pijamas e penteados assimétricos. A música é uma coisa mais complicada, achamos que aquela foi uma década fútil de ouvido e onde se mexia a sério com o corpo quando se ouvia,

Just Can't Get Enough [Depeche Mode]
It's My Life [Talk Talk]
Don't You Want Me [Human League]
Tainted Love [Soft Cell]

e outra tanta pop bem sintetizada, ainda que ninguém admita hoje que o melhor era puxar dos Smiths ou dos Talking Heads em público e depois ir para casa saltar de alegria com Wham ou Katrina & The Waves.

Nessas coisas não há nada como recuperações e versões para se chegar ao out of the closet musical, e 1992 abriu logo a rasgar com a colectânea Freedom of Choice, onde Sonic Youth, Mudhoney, Yo La Tengo e outras bandas pegaram nas músicas de cima e nestas,

Ça Plane Pour Moi [Plastic Bertrand]
Destination Unknown [Missing Persons]
Wuthering Heights [Kate Bush]
Dreaming [Blondie]

e aquilo que fizeram com elas foi um alívio para quem não se conseguia assumir junto de amigos musicalmente bem informados. Ingrato ou não, a verdade é que das bandas que fizeram essa colectânea, para além dos Sonic Youth, já quase ninguém se lembra ou quer saber de Chia Pet, Redd Kross, Erectus Monotone, Hypnolovewheel, Das Damen ou White Flag.

Quando estou na cama, a deprimir com o Johnny Cash, ouçam com atenção o que ele fez com One [U2] e Hurt [Nine Inch Nails]!, dá-me para pensar que os meus Anos 80 não foram assim tão felizes e que se havia uma coisa que me irritava muito, era o maldito hábito que os nossos críticos de música tinham de usar a expressão à la para compararem dois álbuns, tipo, temos um Nick Cave à la Tom Waits.

Ainda sobre versões, não, não vou falar dos No Doubt [estava para não linkar, mas pronto.] e do It's My Life!, vale a pena o Wordy Rappingwood dos Tom Tom Club pelas Chicks on Speed, perfeita para quando acaba a depressão e há vontade de ir às compras.

Tudo isto, versões, depressões e décadas que se cruzam, leva-me a acreditar que às tantas um dia o presente vai mesmo cruzar-se com o presente e o mundo acaba.

Nota: o meu sobrinho acabou agora mesmo de me dizer que vamos ter mais disto lá para 2005... e Department S, nada?! Nada. Não vou ter um Jason recauchutado, é?! É.